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Tem que ser Jair ou Luiz? Uma crítica à monocromática divisão política brasileira

Há muitos anos que o povo Brasileiro não se dedicava tanto à política quanto agora. No café da manhã, no transporte pro trabalho, durante a roda de conversa no almoço e principalmente na linha do tempo de todas as redes sociais; Política é o assunto número um. E isso é bom, é muito bom para ser sincero. Mas todo bem tem seu preço.

Daqueles que se sentem grandes peritos à aqueles que apenas tem uma opinião convicta, não há como fugir desse assunto; Tá todo mundo arrastando a política para todos os lados. Um simples vídeo de um gatinho miando já é suficiente para encontrarmos militantes virtuais (que agora estão na casa dos milhões) atribuindo o bem ou o mal ao seu candidato.

E não adianta fugir, quando você menos esperar, estará envolvido em alguma discussão de família mantendo o autocontrole para não estourar a última garrafa de vinho na cabeça daquele seu tio que diz que “na época dos militares que era bom”.

Ninguém liga mais para Corinthians e Palmeiras ou pro famoso FLA x FLU, agora o povo quer assistir o sangue da direita fascista escorrer e a cabeça dos esquerdopatas rolarem. Se pudessem assinariam o pay-per-view para assistir 24 horas o seu time ganhando. E sabe qual é o mais engraçado? O time que você escolher estará sempre ganhando. A pauta discussão já caiu faz tempo. Agora o que está em alta é ter razão e ter razão parece ser o único sentido que motiva os cyber-defensores do futebol político a dedicarem seus tempos e estimularem seus músculos à escrever algo.

O que vale refletir é que nesse campeonato dois times prevalecem na liderança pelo direito ao ter razão. O time do Jair e o time do Luiz.  A torcida do time do Jair é, em sua grande maioria, composta por saudosistas de épocas de paz imaginária, bons meninos de sorrisos bonitos e de quase todos os que oprimem sua “Opinião” a respeito de algo ou alguém. Já a torcida do Luiz basicamente se resume em fiéis da igreja de santo Inácio, fãs de frutos do mar e loucos por tinta vermelha.

Nesse triste campeonato em que ninguém avança na tabela e que o troféu parece tão inalcançável, ainda surgem aqueles que não conseguem se identificar com nenhum dos dois e que refletem o quanto isto pode afetar o País. E isso não faz destas pessoas melhores ou piores. Apenas faz delas órfãs. Seres carentes que acreditam que da forma como está não pode funcionar e que infelizmente mal conseguem erguer a sua voz por muitas vezes achar que ela está errada.

Mas pode ser que aí esteja o caminho correto.

Escolher entre Jair ou Luiz é tão arcaico quanto determinar que um guarda roupa só deve conter roupas brancas e pretas. A monocrômica situação do país deixa a escolha por um lado  cegamente fácil, porém não gera resultados e dificilmente atende a todos.  Entre o branco e o preto existe uma escala infinita de cores personalizadas com doses únicas de cada tonalidade esperando para ser atribuída ao seu pensamento.

Deixar-se levar pelos tons pode ser um caminho menos arriscado e extremista de ver as ideias. Buscar formular seus próprios ideais ajuda a criar novas ramificações e talvez fique mais fácil de se sentir representado. Todos temos inseguranças a respeito do futuro político do país e por mais convicção que dediquemos erguendo nossos dedos para escrever textões na postagem da tia Zélia, a única forma de erguer o país novamente é retirar do povo a ideia de monocromia e fazê-lo entender que há mais de um tipo de cor, de time, de partidos e de candidatos.

Que possamos aproveitar esse período de discussão política em sua plenitude. Que nos dediquemos a criar nossos próprios ideais e a buscar aqueles que os representem quase na sua totalidade. Que os debates venham à tona e que as decisões surjam da forma como elas devem surgir: Do povo e para o povo. Você não é obrigado a escolher entre Jair e Luiz, mas se escolher que escolha acreditando que ele representa os seus ideais e não pelo prazer de ver o adversário derrotado.

O Brasil precisa de mais do que um campeonato de dois times para decidir o seu futuro. O Brasil precisa de um povo forte, certo das suas escolhas e que tenha em seus representantes a seriedade de conduzir um povo e não apenas ganhar uma eleição.

 

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